(Já explicarei o porquê de ter colocado a versão em que os jurados aparecem)
Não precisa fazer teatro ou aula de dança para perceber o quanto é difícil fazer isso. O trabalho de corpo e as expressões estão fantásticas (tanto é que ele ganhou o primeiro lugar!). Quando alguma coisa me impressiona dessa maneira, meu instinto curioso me obriga a pesquisar mais sobre a pessoa e qual o caminho que ela percorreu até chegar ali. E o quão inspirador foi conhecer um pouco da história deste "garotinho".
Eu queria muito dançar. E de onde eu vim, as crianças não tem a oportunidade de fazer o que elas gostariam, de realizar seus sonhos.
Nesses últimos dias, como todo bom ser humano, estava me sentindo bem desanimado. Chegava do trabalho cansado (apesar de não ter trabalhado muito), já estava faltando mais do que deveria à academia e as minhas orações tinham se tornado raridade. A inércia já estava tomando conta da minha rotina. E, sejamos sinceros, sair da inércia é muito difícil. É aquela história: quando você leva as coisas num ritmo bem devagar, a tendência é você ir parando. Da mesma maneira, quando tudo está num ritmo rápido, é natural a velocidade ir aumentando cada vez mais. E eu já estava incomodado com esse ritmo lento que se encontrava o meu dia-a-dia. Lembrava de quando ía todos os dias à academia e sempre tinha disposição para fazer tudo; sempre conseguia tempo para fazer as minhas orações e todas as minhas tarefas. É claro que todo mundo têm direito de relaxar um pouco e respeitar o cansaço do corpo, mas não era esse o caso. Acabou tudo culminando na alergia e aí, forçadamente, eu tinha que ficar em casa sem disposição para nada.
Na madrugada de quinta para sexta, quando mais uma vez uma insônia terrível não me deixava dormir (sempre que eu chego do trabalho, durmo um pouco e depois acordo, fico assim), resolvi dar um basta nisso tudo. E tinha que começar a mudança naquele momento. Levantei da cama e fui fazer Daimoku (oração budista). E decidi vencer a preguiça, vencer o cansaço, colocar ordem na casa, voltar a frequentar a academia todos os dias e ter tempo para orar sempre. Eu só não contava que no dia seguinte, eu chegaria dez vezes mais cansado do que nunca do trabalho por conta de uma piora na alergia, querendo desesperadamente a minha cama. Mas ao invés de ir dormir, não sei porquê, fui rever o vídeo do George. E o remix de "Singing in the rain" e a persistência daquele garotinho foram me contaminando. Tomei a minha homeopatia e fui cantando para a academia. Foi um dos melhores dias de treino da minha vida! Acabei toda a série e tinha disposição para ficar muito mais tempo lá.
Quando cheguei em casa, depois de um bom banho e de um rápido lanche, fui fazer as minhas orações. Decidi que no dia seguinte, no curso de teatro, eu iria fazer a melhor cena da minha vida. E realmente foi: a professora nunca tinha elogiado tanto uma cena minha!
Parace uma coisa bem pequena e simples o que ocorreu comigo esses dias. E de fato o é. Mas são essas coisas pequenas e simples que definem toda uma vida. A vida é o agora. Não é o que já passou e nem o que há por vir. Eu vivo o hoje. E são esses pequenos recomeços que determinam se eu vivo uma vida regular ou uma vida de vencedor do concurso nacional de talentos.
É o que mostra a história do George (essa sim, é enormemente inspiradora e fantástica): a importância de persistir e lutar apaixonadamente pelos nossos sonhos. É isso que faz com que a apresentação de hoje seja a melhor de toda uma vida. Se não podemos viver para realizar os nossos sonhos, de que outra maneira vale a pena viver?
Obrigado, George! Obrigado por ter me mostrado, quando mais uma vez eu precisei enxergar, o que é viver uma vida apaixonada.