domingo, 30 de novembro de 2008

Lá fora

Eu sempre tive vontade de morar fora do país. Essa vontade vem de muito, muito tempo. De tanto tempo, que eu nem me lembrava mais de como e quando ela tinha surgido.

Ontem, surgiu o assunto durante uma conversa e uma amiga do meu primo me perguntou: "Mas por que você tem tanta vontade de morar fora?" Eu, automaticamente, respondi que era pela experiência de vida, de viver em outra cultura. Daí, ela disse: "Rafa, eu acho que aqui você já vivi uma experiência muito legal: você mora sozinho, você tem as suas coisas e é dono do seu nariz!". Pois é, ela estava certa. O que eu fiquei pensando depois é que a maioria das pessoas que vai morar fora do país acaba passando pela primeira vez pela experiência de viver só e aprender a se virar só. E lembrei que o real motivo de eu ter o desejo de viver lá fora, não é esse! E qual é?

Certa vez, eu fui a um encontro de pessoas que queria imigrar para o Canadá. A certa altura do evento, cada pessoa se apresentava e dizia os motivos pelos quais tinham escolhido o Canadá para viver. Eu, confesso, que fiquei muito assustado quando ouvia que a maioria queria não queria ir para lá; queriam mesmo, era fugir do Brasil, pois está uma violência só, e esse país não tem jeito, é muito corrupção, e que íam em busca de uma melhor qualidade de vida... OK, cada um tem a sua opinião e eu respeito profundamente. Só que, eu acredito que as pessoas levam consigo, para onde quer que elas forem, todos os seus problemas. É o conceito budista de carma: ninguém transforma o carma mudando de lugar. É claro, que existe a teoria das probabilidades e, se eu estou num lugar violento, o risco de acontecer alguma coisa é maior do que se eu estou num lugar mais pacífico. Mas isso não invalida a parte mística da coisa. Ou seja, se eu não transformar ou amenizar o meu carma, eu vou sofrer por aquilo independete de onde eu esteja. Como eu acredito nisso e também, apesar de saber de muias coisas estarem erradas, gosto muito do meu país, fugir não era a minha motivação.

Não precisei me esforçar muito para lembrar de onde vinha o meu desejo de morar fora do Brasil: eu sempre achei a vida muito curta e o mundo muito grande e fantástico, que seria uma limitação muito grande passar toda uma vida num só lugar. E, para mim, não basta conhecer como turista: eu quero viver entre outras culturas! Não que eu idealize algo, ou ache que vai ser melhor do que a vida que eu tenho. Aqui, eu posso dizer que é pela experiência. E pela experiência, pode ser muito bom ou muito ruim. Ou pode ser a mesma coisa também.

O fato é que o tempo é sempre um questionamento para mim. Para ser mais preciso, a passagem do tempo. E como aproveitar esse tempo. Cada minuto da vida é preciso, não volta atrás.

Se você se identificou com esse meu pensamento, saiba que temos em comum, a mesma sede de viver a vida. E como vivê-la da melhor maneira possível? Como aproveitar o próximo minuto? Ficam as perguntas.

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