Eu sempre tive vontade de morar fora do país. Essa vontade vem de muito, muito tempo. De tanto tempo, que eu nem me lembrava mais de como e quando ela tinha surgido.
Ontem, surgiu o assunto durante uma conversa e uma amiga do meu primo me perguntou: "Mas por que você tem tanta vontade de morar fora?" Eu, automaticamente, respondi que era pela experiência de vida, de viver em outra cultura. Daí, ela disse: "Rafa, eu acho que aqui você já vivi uma experiência muito legal: você mora sozinho, você tem as suas coisas e é dono do seu nariz!". Pois é, ela estava certa. O que eu fiquei pensando depois é que a maioria das pessoas que vai morar fora do país acaba passando pela primeira vez pela experiência de viver só e aprender a se virar só. E lembrei que o real motivo de eu ter o desejo de viver lá fora, não é esse! E qual é?
Certa vez, eu fui a um encontro de pessoas que queria imigrar para o Canadá. A certa altura do evento, cada pessoa se apresentava e dizia os motivos pelos quais tinham escolhido o Canadá para viver. Eu, confesso, que fiquei muito assustado quando ouvia que a maioria queria não queria ir para lá; queriam mesmo, era fugir do Brasil, pois está uma violência só, e esse país não tem jeito, é muito corrupção, e que íam em busca de uma melhor qualidade de vida... OK, cada um tem a sua opinião e eu respeito profundamente. Só que, eu acredito que as pessoas levam consigo, para onde quer que elas forem, todos os seus problemas. É o conceito budista de carma: ninguém transforma o carma mudando de lugar. É claro, que existe a teoria das probabilidades e, se eu estou num lugar violento, o risco de acontecer alguma coisa é maior do que se eu estou num lugar mais pacífico. Mas isso não invalida a parte mística da coisa. Ou seja, se eu não transformar ou amenizar o meu carma, eu vou sofrer por aquilo independete de onde eu esteja. Como eu acredito nisso e também, apesar de saber de muias coisas estarem erradas, gosto muito do meu país, fugir não era a minha motivação.
Não precisei me esforçar muito para lembrar de onde vinha o meu desejo de morar fora do Brasil: eu sempre achei a vida muito curta e o mundo muito grande e fantástico, que seria uma limitação muito grande passar toda uma vida num só lugar. E, para mim, não basta conhecer como turista: eu quero viver entre outras culturas! Não que eu idealize algo, ou ache que vai ser melhor do que a vida que eu tenho. Aqui, eu posso dizer que é pela experiência. E pela experiência, pode ser muito bom ou muito ruim. Ou pode ser a mesma coisa também.
O fato é que o tempo é sempre um questionamento para mim. Para ser mais preciso, a passagem do tempo. E como aproveitar esse tempo. Cada minuto da vida é preciso, não volta atrás.
Se você se identificou com esse meu pensamento, saiba que temos em comum, a mesma sede de viver a vida. E como vivê-la da melhor maneira possível? Como aproveitar o próximo minuto? Ficam as perguntas.
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